11 de julho de 2025
Embora as micotoxinas sejam geralmente associadas à contaminação de ingredientes da ração, estudos recentes apontam um alerta ainda mais silencioso: microrganismos presentes no próprio intestino dos camarões podem produzir essas toxinas
Especialmente quando há desequilíbrios na microbiota intestinal. Fungos oportunistas do gênero Aspergillus e Fusarium, por exemplo, podem colonizar o trato digestivo e gerar substâncias tóxicas como Aflatoxina B1, toxina T-2, entre outras.
Essas micotoxinas endógenas afetam diretamente a saúde intestinal, promovendo lesões celulares, inflamação, redução da diversidade microbiana e comprometimento da barreira epitelial — tudo isso impactando negativamente a digestão, a absorção de nutrientes e a resposta imune do camarão.
Principais Resultados de Estudos Científicos
1. Aflatoxina B1 e os danos à microbiota e ao sistema antioxidante
O estudo “Aflatoxin B1 (AFB1) induced dysregulation of intestinal microbiota and damage of antioxidant system in pacific white shrimp (Litopenaeus vannamei) “ por Wang et al., 2018 investigou os efeitos da Aflatoxina B1 (AFB1) em camarões L. vannamei. A Aflatoxina B1 (AFB1) (figura 1) é uma das micotoxinas mais potentes e tóxicas conhecidas. Ela é produzida principalmente por fungos do gênero Aspergillus, especialmente Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus. Nos camarões, especialmente em espécies cultivadas como o Litopenaeus vannamei, a ingestão de AFB1 pode causar uma série de efeitos tóxicos graves, Wang et al., 2018 encontrou resultados alarmantes
● Disbiose intestinal: redução da diversidade de bactérias benéficas e aumento de patógenos.
● Danos ao sistema antioxidante: queda nas enzimas protetoras como SOD, CAT e GPx.
● Comprometimento da integridade intestinal: com alterações histológicas e menor expressão de proteínas de junção celular como ZO-1 e occludina.
Conclusão: a AFB1 desequilibra a microbiota e prejudica as defesas antioxidantes e estruturais do intestino.
2. Toxina T-2 reduz enzimas digestivas e agride a barreira intestinal
Outro trabalho “Efects of T-2 toxin on digestive enzyme activity, intestinal histopathology and growth in shrimp Litopenaeus vannamei” por Huang et al., 2019, publicado na Scientific Reports, focou na toxina T-2. A toxina T-2 (figura 2) é uma micotoxina do tipo tricoteceno, produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium, comuns em cereais como milho, trigo e cevada. Ela é considerada uma das micotoxinas mais tóxicas dentro do grupo dos tricotecenos, com forte ação citotóxica e imunossupressora.
Diferente de outras micotoxinas que agem mais no fígado, a T-2 tem um efeito direto sobre o trato gastrointestinal, sendo especialmente perigosa para animais aquáticos, como os camarões. Huang et al., 2019 observaram seus efeitos nocivos em diversos aspectos da saúde digestiva:
● Redução de enzimas digestivas: amilase, tripsina e lipase.
● Lesões intestinais severas: incluindo necrose e encurtamento das vilosidades (figura 3).
● Alterações na microbiota e supressão de genes relacionados à resposta imune.
Conclusão: a T-2 prejudica diretamente a digestão, a imunidade local e a composição microbiana do intestino.
Conclusão: Sepiolita como Aliada na Prevenção
Frente a esse cenário, uma das estratégias mais promissoras é o uso de aditivos alimentares com propriedades adsorventes, como a sepiolita. Esse mineral natural atua como um “filtro”, capaz de se ligar às micotoxinas ainda no intestino, facilitando sua eliminação pelas fezes e evitando que entrem na corrente sanguínea. Incorporar a sepiolita na dieta dos camarões pode ser uma solução eficiente, econômica e segura para reduzir os impactos negativos das micotoxinas produzidas internamente.
A saúde intestinal dos camarões é essencial para garantir seu crescimento, bem-estar e resistência a doenças. Com os estudos indicando que até mesmo fungos presentes no intestino podem ser fonte de micotoxinas, o cuidado com a microbiota e a barreira intestinal se torna ainda mais crucial.
Investir em estratégias nutricionais seguras e preventivas é o caminho para uma aquicultura mais saudável, sustentável e produtiva.
Sepiolita no CITRONEX: uma aliada na eliminação de micotoxinas e na proteção intestinal de camarões
O CITRONEX é um aditivo alimentar desenvolvido para peixes e camarões, cuja composição inclui um excipiente mineral à base de sepiolita, além de ácidos orgânicos (como ácido butírico, fórmico e propiônico), tributirinas, óleo essencial de tomilho e fibras naturais. A sepiolita presente na fórmula atua como um agente adsorvente, ajudando a eliminar substâncias tóxicas do trato intestinal, como as micotoxinas, que podem comprometer a integridade intestinal e o equilíbrio da microbiota.
O produto contribui ainda para a melhora da digestibilidade dos nutrientes, controle de microrganismos indesejáveis e aumento da resiliência intestinal frente a fatores estressantes, como a presença de contaminantes e agentes patogênicos. Com isso, o CITRONEX se destaca como uma alternativa eficaz para promover a saúde intestinal e o desempenho zootécnico dos camarões em sistemas de cultivo intensivo.
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