Probióticos com Carboidratos: Uma Nova Fronteira Sustentável na Aquicultura 

Nos últimos anos, a aquicultura tem buscado soluções naturais para enfrentar desafios ligados à saúde animal, desempenho zootécnico e sustentabilidade. Dentro desse cenário, os probióticos associados a carboidratos como excipientes naturais surgem como uma alternativa inovadora, capaz de potencializar a microbiota intestinal dos organismos cultivados e melhorar o aproveitamento nutricional. 

Probióticos: mais que micro-organismos benéficos 

Probióticos são definidos como micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, promovem benefícios à saúde do hospedeiro. Em peixes e camarões, seu uso vai muito além do simples equilíbrio da microbiota intestinal: eles atuam na digestão de macronutrientes, estimulam o sistema imune, reduzem o estresse oxidativo e até mesmo auxiliam na biocontenção de patógenos como bactérias e vírus. 

Estudos mostraram que espécies como Bacillus sp. e Lactobacillus sp. aumentam o ganho de peso, a eficiência alimentar e a sobrevivência em tilápias, carpas e camarões, ao mesmo tempo em que reduzem a incidência de doenças. 

O papel dos carboidratos como excipientes 

A grande inovação está no uso de carboidratos (inulina, frutooligossacarídeos, mananoligossacarídeos, quitosana, dextrose, entre outros) como excipientes naturais. Esses compostos funcionam como prebióticos, servindo de substrato seletivo para as bactérias probióticas. Assim, além de veicular os microrganismos, eles estimulam sua multiplicação dentro do trato digestivo, potencializando os efeitos benéficos (Figura 1). 

Probióticos: muito além da microbiota 

De acordo com o artigo Synbiotic Agents and Their Active Components for Sustainable Aquaculturepor Srirengaraj et al., 2023, os probióticos oferecem múltiplos benefícios: 

  • Melhora do crescimento e digestibilidade – cepas como Bacillus subtilis aumentaram a eficiência alimentar, estimulando enzimas digestivas (proteases, lipases, amilases). Tilápias alimentadas com dietas suplementadas apresentaram melhor conversão alimentar e maior ganho de peso. 

  • Controle de doenças bacterianas e virais – espécies como Bacillus pumilus e Lactococcus sp. secretam bacteriocinas e lipopeptídeos com ação antimicrobiana contra patógenos como Vibrio harveyi e Aeromonas hydrophila. Além disso, probióticos como Pseudoalteromonas undina mostraram efeito antiviral em larvas de peixes. 

Figura 1: Ilustração do uso e impacto de probióticos em sistemas de aquicultura. 

 

Fonte: Srirengaraj et al., 2023 

  • Imunomodulação – estudos com carpas e tilápias demonstraram aumento de proteínas séricas, atividade de leucócitos e produção de citocinas (IL-1β, TNF-α), refletindo maior resistência contra infecções. 

  • Redução de estresse e detoxificação de metais pesados – probióticos como Lactobacillus spp. e Bacillus spp. reduziram níveis de cortisol e protegeram contra toxicidade de metais como cádmio, melhorando a sobrevivência de peixes cultivados. 

Probióticos na carcinicultura: o caso do camarão 

No livro trends in aquaculture no capitulo The Sustainable Management of Shrimp Aquaculture using Probiotics Chapter por Manam & Nakkella, 2022, o capítulo sobre manejo sustentável de camarões com probióticos apresentou dados práticos da aplicação: 

  • Melhoria da qualidade da água – cepas de Bacillus reduziram significativamente os níveis de amônia e nitrito em viveiros, diminuindo a mortalidade por estresse ambiental. 

  • Resistência a doenças – camarões Litopenaeus vannamei suplementados com probióticos apresentaram maior sobrevivência após desafio com Vibrio parahaemolyticus (agente da síndrome da necrose hepatopancreática aguda – AHPND). 

  • Desempenho produtivo – probióticos incorporados à ração resultaram em maior taxa de crescimento diário e conversão alimentar mais eficiente. Estudos mostraram ganhos superiores a 15% no peso médio final dos camarões quando comparados a grupos controle. 

  • Efeitos imunológicos – verificou-se aumento na atividade de enzimas antioxidantes (superóxido dismutase e catalase) e maior contagem de hemócitos, células fundamentais na defesa imune dos crustáceos. 

  • Uso combinado com carboidratos – ao adicionar prebióticos junto a cepas de Bacillus, observou-se uma sinergia que favoreceu o equilíbrio da microbiota intestinal, reduziu a colonização de patógenos e aumentou a resistência a variações de salinidade. 

Um caminho sustentável 

O uso de probióticos formulados com carboidratos inertes como excipientes naturais representa uma estratégia dupla: proteger o microrganismo até seu destino no hospedeiro e, ao mesmo tempo, substituir aditivos sintéticos que podem deixar resíduos no ambiente. 

Essa abordagem fortalece a visão de uma aquicultura mais sustentável, que alia saúde animal, segurança alimentar e preservação ambiental. A tendência é que tais soluções ganhem cada vez mais espaço na indústria, especialmente em sistemas de produção de camarões, que demandam alternativas seguras e eficientes para lidar com desafios sanitários. 

Probióticos Comerciais da Nexco na Aquicultura 

A Nexco, pioneira no uso de probióticos na aquicultura brasileira, oferece soluções que combinam culturas microbianas e carboidratos inertes como excipientes. 

 

 O Epicin G2 atua na desintoxicação da água, reduzindo amônia, nitrito e Vibrio spp., além de melhorar a sobrevivência larval e reduzir trocas de água. O Epicin Hatcheries é voltado para incubatórios, prevenindo a síndrome de Zoea e aumentando a produtividade de pós-larvas. Já o Epizym PST acelera a biodegradação de matéria orgânica no fundo dos viveiros, melhora a qualidade do substrato e favorece crescimento mais saudável. Esses produtos exemplificam como a biotecnologia aplicada pode gerar sistemas mais sustentáveis e eficientes na produção aquícola. 

 

 

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